domingo, 16 de maio de 2010

Sonhos, lutas e vitórias cap 008

Saí do Parque em junho de 1966, indo destacado para Cruzeiro do Sul - Acre de onde voltei em fevereiro de 1967, tempo este que Deus fez uma maravilha na minha vida, pois foi o tempo que os cabos que tinham mais de 8 anos e não foram para Escola de Sargentos tinham de ser licenciados; nesta leva eu fui, voltei a trabalhar como vendedor; vivia orando na Assembléia de Deus de Belém, como macaco velho só vivia vendendo nos quartéis, onde continuava ter contato com os amigos, quando "tocava o avançar" no rancho" lá ia eu pegar o "rango" ou "peteco", e sei que nestas andanças por lá vim saber que tinha sido amparado na mesma Lei 1104 que tinha me mandado embora, pois quem tivera média nas provas que fizera, tinha sido aprovado, mas não alcançara a classificação na época, tinha que requerer ao Min Aer, o que não tinha feito por não saber disto, mas nas andanças pelo quartel, o cabo LIMA que trabalhava em Costuras e Entelagens, depois fez o curso de sargentos comigo, então me deu a dica e falou que vira meu nome na relação dos amparados, dessorte que depois de muito joelho no chão, o Sgt Azamor que trabalhava na DP, aquele que parecia japonês, mas era caboclo do interior do Pará, cara estudioso que só, então ele fez um requerimento exposição de motivos que foi remetido para o COMAR 1, lá ficaram enrolando e devolveram para o PAMABE no que o Azamor levou ao conhecimento do Maj Araújo, Sub Diretor do Parque e os mesmos tomaram a iniciativa de mandar direto para o Min Aer. Fiquei esperando a resposta e um dia quando ia entrando no Parque, que nesta época a entrada era pela Av. Tito Franco, então o sgt Azamor gritou todo feliz lá da DP:
-Ferreira, você é crente, mas vamos tomar umas cervejas!!!
Veio todo feliz me mostrar o despacho do Min Aer mandando cancelar meu licenciamento.
O Azamor passou os dados para a Escola de sargentos e eles responderam que eu tinha perdido o direito de matricula; novamente o Azamor com o Sub Diretor, Maj Av Araújo, tomaram a iniciativa de me mandar para o Rio para falar com o Min Aer, ocasião que levei documentos remetidos pelo cabo Salomão para Cel Maldonado D`Eça, ajudante do Min, cujo pai, Maldonado D`Eça, fora diretor do Parque e ele também trabalhara lá, de forma que o cabo Salomão que era motorista de todos os diretores do Parque me ajudou de uma forma espetacular, pois chegando no Rio o pessoal disse que ia ser difícil o Cel Maldonado me atender, mas eu de Bíblia na mão falei que ele ia atender sim, entreguei os documentos que o cabo Salomão tinha enviado e para surpresa do pessoal da ajudancia do Min o Maldonado mandou eu entrar, conversou alegremente comigo, querendo saber do Parque, de Belém, de todos os amigos do Parque e depois falou que eu aguardasse que o Min estava chegando de Brasília quando ia despachar com ele.
Fiquei até a boca da noite aguardando numa sala onde tinha um monte de gente, inclusive religiosos, para aguardar despacho do Min, então lá pelas tantas veio o Cel Maldonado todo feliz dizer que o Min tinha dado despacho favorável para eu entrar na Escola.
Chegou a rádio com o nome do pessoal que devia ir para a EEAr e meu nome não estava, quando novamente o Azamor e o Sub diretor, Maj Av Araújo, passaram rádio fazendo menção do despacho do Min e a EEAr se calou, não mandou resposta nenhuma, então eles disseram para eu desistir do resto das férias e o Sub diretor me levou de avião para o Rio e em lá chegando deixou um telefone para qualquer problema que houvesse na minha chegada na EEAr, o que graças a Deus não foi preciso, pois apesar de estar escrito a tinta no ultimo lugar da lista, mas lá estava meu nome, o que causou espanto para o oficial de dia, e eu, com a Bíblia na mão contei minha odisséia e ele ficou meu amigo pro resto de minha vida de aluno na EEAr.
Como soldado, depois cabo, ali no Parque eu me sentia como uma criança cheia de sonhos, amado por todos, isso foi provado quando da hora que mais precisei de todos eles...
Meu amigo subdiretor, Maj Av Araújo, infelizmente houve um problema com ele e mandaram embora da FAB.
O Azamor estudava Direito, ao formar-se fez curso de oficial e foi trabalhar no Gabinete do Ministro em Brasília.
Azamor, apesar de ser caboclo, tinha as feições orientais, mas a família de sua esposa era toda ela japonesa e em Belém eles preservavam toda a milenar cultura oriental.Depois dele lembrei de mais nomes como O Sgto. Marron, Anijá, O Juarez, Pinheirinho, relembrar o Ten. Arêas e seu indisfarçável Jeep WILLYS, cor verde; era uma pessoa muito simpática, sua filha mais velha a (Sandrinha) e do irmão dela o Carlos.
Até hoje eu também sinto saudades de meu querido Parque, pois foi lá que eu comecei engatinhar na FAB, onde tive momentos maravilhosos, sonhos e tantas são as boas lembranças que é até dificil descrevê-las, muitas vezes acontecimentos simples, mas que nos reavivam a memória. Lembro dos amigos do nosso Parque, onde todos éramos uma família que se alegrava e chorava junto...

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