MAMÂE LAVANDO ROUPAS
Ela lavava roupa para fora, era uma lavadeira, e a gente ficava sentado no banco de madeira onde ela colocava o ferro da passar roupas a carvão, quando nos ensinava a vida através de lições que nos contava.
Eis uma mulher à beira de uma "tina" com roupas.
Ela trabalha alegremente, tem prazer no seu labor, o que faz às vezes, as pessoas espantadas com toda aquela luta, exclamarem:
- Puxa, a senhora nesta vida que leva ainda canta, parece tão feliz!
Ela responde:
- Eu sou feliz porque Deus me dá forças para trabalhar e cuidar dos meus filhos!
Tudo o que ela faz é pensando nos seus filhos, ainda que no futuro espere receber deles alguma coisa, contudo não expressa isto em suas palavras, mas seu primeiro objetivo é que não lhes falte nada e que sejam alguém na vida.
Quantas vezes quando a comida é escassa ela dá o melhor quinhão para eles e come um pouquinho do que sobra.
Comia aquele pirarucu (nosso bacalhau brasileiro) com jirimun, ás vezes peço para patroa fazer jabá com jirimun, quiabo, maxixe e jiló, também sou chegado numa sopa, canja.
Saboreava muito um peixe "sargento"; o "tamuatá" ou "cascudo" que não tem escamas e sim umas placas que até parece um sargento com uma divisa grandona, igual primeiro sargento da Marinha.
E o peixe cobra, todo preto, de couro, não tem escamas, é o "muçum" , ele frito a gente vai comendo, ou da cabeça pro rabo ou do rabo pra cabeça; agora eu digo, no tempo que eu era pobre comia peixe de todo tipo e preparado de todo jeito, mas agora que pensei que ia ficar rico, então acho o preço do peixe muito caro, mais caro que a carne.
Tem um peixe que é meio redondo e tem uma roda vermelha na cauda, salvo engano é o cará-açu, eu comi muito dele, pois a mamãe lavava roupa prá fora e uma professora meio titia fêz promessa para se casar, apareceu o principe encantado, ela deu peixe durante um ano, preparadinho, temperado, com arroz temperado com "urucum", aquele caldo gostoso, que eu ia buscar todo dia e mandava o "peteco" pro "buxo".
Perto de casa, na Rui Barbosa próximo da Tiradentes, como tinha fábrica de beneficiamento de castanha do Pará que mandavam para o exterior, de perfumes da Phebo, e outras, então vendiam peixe frito na hora, num "tacho" grande com aquele óleo quente que se voce metesse o dia certamente o fritaria; era cada "posta" de peixe que a gente comprava, levava para casa, comia com arroz, feijão, farinha e não faltava a banana chorona também.
Falando de castanha do Pará e me lembro de uma velhinha que ia apanhar as castanhas que caiam lá na fábrica e passava na frente de casa quando nos dava um monte delas.
Era uma felicidade, só alegrias.O nome dela que era Maria dos Anjos.Lembrando dos momentos de felicidade que nos proporcionou, eu sempre digo:
OBRIGADO SENHOR PELA AMIGA MARIA DOS ANJOS.QUE A GENTE POSSA SE ENCONTRAR NO TEU REINO.
Amor de mãe!
Quem, senão Deus, tem um amor maior do que o de uma mãe!
Assim era a minha mãe querida que ironia do destino, já que uma doença malvada tinha assolado seus pulmões e eu ao crescer não pude fazer tanto por ela. Antes muitos amigos, médicos e visinhos apareciam para ajudar, relutava em aceitar a doença, tomar os remédios e se tratar
Um médico do PAMABE me ajudou muito; quando eu era soldado, fazendo curso de cabo, fiquei desarranchado para ganhar um pouco mais e ajudar minha mãe.Ele tentou de todas as formas hospitalizá-la, todavia não conseguiu, mesmo assim dava remédios, que como eu disse antes, ela relutava em tomar e no fim veio prejudicá-la bastante.
Já como sargento, eu estava destacado e minha esposa conseguiu convencê-la, quando foi hospitalizada no Sanatório Barros Barreto, mas sua relutância em se tratar anteriormente dificultou bastante para que ficasse curada sem as seqüelas da doença. Ao sair do hospital tinha perdido dois terços dos pulmões, quando o médico falou para minha esposa que ela estava curada, mas não ira viver muito por causa da dificuldade respiratória e realmente ainda viveu somente uns seis meses.
Lutara bravamente durante anos, sempre com espírito forte.
Quando passou desta vida com 69 anos, foi com um sorriso nos lábios e morreu como um passarinho.
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