domingo, 16 de maio de 2010

Sonhos, lutas e vitórias cap 002

Minha mãezinha, minha heroína!
Era o dia 31 de março de 1906 quando minha mãe nasceu no seringal Socêgo no rio Caianhã em Lábrea no Amazonas.
Meu avô era seringalista que fazia as extrações com pessoal que trabalhava para ele e se utilizava de terras devolutas daquela época.
Vivia de um lado para outro sempre em mudanças com a família.
Contava minha mãe que até índios das tribos "assurinis" e "apurinãs" sempre compareciam no barracão, quando ela e minhas tias ficavam enclausuradas porque eles andavam totalmente nus e só meu avô, minha avó com os trabalhadores é que ficavam com eles todo tempo e faziam trocas de mercadorias, peixe, farinha, sal, etc..., como era costume naquela época e região.
Os anos foram se passando com aquela vida, mas não faltava nada, inclusive muita coisa consumida era vinda da Europa que naquele tempo era modelo para o mundo; louças de porcelana, sedas, perfumes, tudo de origem francesa.
Meu avô achou de entrar na política e isto foi a sua desgraça, visto que um próprio afilhado, numa discussão deu-lhe as costas e foi embora, coisa não admitida pelos homens daquela época, quando meu avô o chamou e repreendeu asperamente, tendo ele ido embora para sua casa onde apanhou uma arma, voltou e disparou contra meu avô o matando.
A partir daí a vida foi modificando; minha avó, como era costume naquele tempo de só o homem resolver tudo, então ficou perdida à mercê dos parentes quando um seu cunhado agindo desonestamente tomou tudo o que tinha sido deixado pelo meu avô.
Minha tia Laura, a mais velha, foi logo para Manaus e depois toda a família foi atrás.
Cidade grande, Manaus naquela época do auge da borracha era um só "apogeu", tudo girava em torno das novidades da Europa, companhias de teatro, orquestras, luxos e luxos, era um mundo novo para aquelas que vieram da floresta. Novamente minha tia Laura deu um vôo mais para a frente e foi para Belém do Pará, também naquela época uma metrópole com ares europeus e posteriormente foi todo mundo atrás.Grande parte das belas e robustas construções existentes até hoje por Manaus, Belém, foram feitas pelos ingleses, tanto que eu ainda criança conheci a companhia de luz de Belém como Pará Electric , o cais como Port of Pará, por aí afora, com nossos bondes elétricos e tantas coisas que as vezes a gente, por sorte, tem a oportunidade de ver e rever no site www.oliberal.com.br.
Manaus, na época do auge da borracha, até as prostitutas vinham da Europa; eram franceses, polacas e por aí afora.
Vida de lutas; minha avó costurando, minha mãe e minhas tias trabalhando, passaram a sentir as dificuldades da vida, amenizadas por mais um pouco que Laura, a mais independente e resoluta, conseguia.
Minha mãe, mulher de luta, criou-me junto com meu irmão, batalhando tenazmente; com ela aprendemos o ABC, a tabuada, lições de vida, orientações que muito tem nos servido.

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