LEMBRANÇAS
Parece que foi hoje o ontem acontecido.Eu, um garoto pobre, ficava na frente de casa, sentado num banquinho de madeira, observando os transeuntes, tudo que se passava diante dos meus olhos.
Muitas coisas pude presenciar, dentre elas o "Catalina" que passava de/para a pista de Val-de-Cans, aquele facho de luz (farol rotativo)que passava à noite pelo céu, até o "Zepellin", acreditem...
Em 1958 me alistei, depois fui fazer inspeção no Hospital Geral do Exército na praça Brasil, onde passei e no início de 1959 me apresentei na BABE onde fiz o recrutamento na época do Cap IG Sartori (voz de comando trovão).
Tempos memoráveis quando após o café da manhã, servido pelo Taifeiro Sardinha e outros, com aquele mingau gostoso que eu adorava, tinha a saudosa educação física, ora com arma, ora com troncos, ora com bastão, ao som da música da banda regida pelo Sgt. Guedes; posteriormente era instrução de ordem unida e a tarde, após o almoço, lá ia eu para instrução debaixo das árvores que com o calor das tardes de Belém era aquela vontade involuntária de cochilar, mas tinha de ficar com os olhos abertos senão ‘pagava dez’ ou então ficava impedido no final de semana.
Passou o tempo de recrutamento e lá fui eu como S2 Q IG FI 59 03 05 10 para o Núcleo de Parque de Aeronáutica de Belém, onde eu e outros fomos recebidos pelo Ten IG Bandeira Pinto, Sgt IG Januário, Cabo IG Valdir, Cabo IG Geovani, taifeiro Tabajara e outro conhecido por Carne Seca (barbeiros)
SO Cabral, pastor da igreja batista, bom de inglês, tive instrução com ele quando fazia recrutamento na Base, inclusive tinha um soldado que só vivia rindo por qualquer coisa e o Cabral falava:
-Fecha a cara soldado !!!
Aí que o soldado perdia o contrôle e ria, então todo mundo ficava rindo..
Ele era lá do hangar de ferro era ele quem fazia traduções dos manuais da manutenção, do inglês para o português?Assim como ele tinha um time bom. Dantas, Zeferino, João de Deus.
Este soldado era bom de boca, dava tres voltas no rancho, tanto que depois fez curso para taifeiro para poder ficar todo tempo no rancho com a boca no "petecão". Se fôsse músico que ficaria com a boca no trombone..hihihihihihi
Tinha um civil baixinho que a gente chamava de "General", outro brincalhão que gritava o chamavam de "Cachorro", ambos trabalhavam na seção de Usinagem, costura e entelagem, marcenaria, ao lado do setor de eletrônica e um pouco perto do ultimo hangar dos catalinas
Comentários de meu amigo Lima filho do SO Lima
Tomei "algumas caronas" no corte de cabelo (reco/pelado) do querido Carne Sêca. A gente também cortava o cabelo com o "Tabajara" (taifeiro) que mais apreciava tocar o cavaquinho do que propriamente cortar o cabelo da tropa.
Comandante do PAMABE era o Cel. Pires e o Brigadeiro Armando Serra era quem comandava a Zona Aérea. lembro mais dos nomes... e tinha os Sgtos. Rui (Rancho),Vilhena, Telles, Ornilo, Anijá, Marcelino, Edilson(DP), Dantas e Acioly, Paiva , CB Gaspar, o Sgt Juarez que foi para a Marinha onde passou no curso de oficial.
Tudo amigo e muito brincalhões.
Marcelino tinha o hábito de colocar vela acesa no casco de um carangueijo vivo e soltá-lo perto do muro do cemitério, na escuridão, ficava aquela vela andando de um lado para o outro. Agora se imagina o cenário porque ele nunca fazia isso com menos de meia dúzia. A rapaziada que estudava a noite vinha da escola tarde e quando se deparava com aquilo era uma gritaria só.
Tinha um sargento do Posto Médico, que chamavam Galo Velho, morava num pequeno sítio na estrada da Utinga, em frente do Parque, quando a turma fêz uma sacanagem com ele, colocando um aviso no jornal, nas vésperas do Círio, onde dizia ter patos, perus, porcos, galos, galinhas, um monte de coisas para vender, então o pessoal que corria para comprar o que comer no dia do Círio, chegava aos monte, de carro, era gente na porta do GALO VELHO e ele explicando que tinha sido algum colega que tinha feito sacanagemfoi uma luta para o coitado para se livrar daquele multidão...
O Sgt e depois SO Lima era do Parque, uma pessoa super educada com o qual convivi desde o tempo de soldado no Parque até depois de sargento nos destacamentos onde a COMARA sempre estava revitalizando ou construindo pistas, sendo que último contato foi via PX quando eu era radioamador e faixa cidadão que tive a oportunidade de falar com ele como se intitulava no PX como estação "Paloma Blanca" operando em Boa Vista-RR quando o Brig Otomar era governador e o levou para lá.
Nossa base era no antigo Hangar de Nariz, onde ficamos alojados, recebíamos mais instruções e jogávamos na quadra que existia no meio do mesmo.
O tempo foi passando, fiz e concluí o curso de S1, quando passei a S1 Q MR SV AU 59 03 05 10; depois, curso de cabo quando mais uma vez fomos para a BABE receber instrução militar e ao acabar esta parte voltamos para o NPARAER afim de fazer a parte especializada no Hangar de Ferro onde encontramos o Ten Arêas, Sgt Macedo, Brito e outros, civil Lourinho e outros.
Tudo novidade, nova especialidade a ser aprendida, e fiquei cara a cara com aquela aeronave que quando criança eu via passar no céu em meus momentos de devaneios e sonhos.
O sonho virou realidade e pude ajudar aquela aeronave a desbravar, integrar a Amazônia, visto que no início tínhamos poucas pistas, eram usados os rios para amerrisar e que graças a COMARA desde o tempo do SPEVEA, depois SUDAM, é que foram construindo pistas e pistas, desenvolvendo novas tecnologias de acordo com as necessidades, com uma região pobre em pedra criou-se a tecnologia "areia/asfalto/cimento", usou-se areia, "seixo rolado" retirados dos fundos dos rios, onde se via a rentabilidade era econômica ou não, com o árduo e dedicado trabalho do saudoso civil mergulhador "BRUCUTU".
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