quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Lembrando passados na Amazonia

Vendo as 139 fotos que o amigo Leone mandou, das quais eu fiz um pps com 91 delas, eu voltei aos tempos passados, lembrei do Sub Lima, se estivesse vivo, ia lembrar da nossa brincadeira mandando a meteorologia pra informar pro nosso Catalina, Douglas, depois Buffalo, Bandeirantes, pois uma vez eu falei que estava tudo perfumado, cheio de nuvens stratiformes baixas, aí ele falou que tinham mandado a comida dele em cima da cachamba da COMARA, choveu, assim a farofa tinha chegado toda ensopada, pronto daí pra frente, se ele em Tefé perguntava como estava o tempo em Tabatinga, com chuvas a cantaros, tipo quando eu fui como sargento pro primeiro destacamento da FAB lá em Moura, que eu ficava abismado com chuva dia e noite sem parar, então eu dizia prá ele que estava molhando a farofa, também tantos outros casos e colegas, como o Machado que morou naquela casa na beira do lago onde amerrisavam os nossos Catalinas e assim são tantas lembranças.

Fui umas vezes a serviço por lá, uma vez dormir na casa da beira do lago, outra vez dormi na casa do Chaves.

Em nossos destacamentos sempre tinha um lago grande, rio, haja vista que o pioneiro foi o nosso anfibio CATALINA, quando inicialmente o pessoal da COMARA ia nele, quando abriam as picadas para uma nova pista, o pesado ia nas balsas, depois ainda com a pista inicial, precária, o nosso CATALINA já passava a usar para levar mais pessoal, apoio e material.
Isto era a nossa vida de militar da FAB na Amazonia, tanto que um oficial do Exercito, espantado, exclamou:
- Nós somos de Exército, mas voces é que são uns verdadeiros DESBRAVADORES.

È a nossa FAB, sempre conduzindo mais alto a Bandeira do Brasil.

A gente nos DPV fazia tudo, tanto que numa brincadeira eu mandei fazer um carimbITU, onde constava CMT DST, CHF DPV, OPR KT/KF, OPR ZW, ENC CAN, aí quando fui lá em Belém o Cap Murta Rocha até brincou dizendo:
- Vai ser AUTORIDADE assim lá nos cafundós dos judas.rsrsrsrsrsrs

Como dizes, trabalhastes no tempo da lama, tipo eu em varios locais, depois mesmo com asfalto, mas deu pau na nossa viatura em Tefé-AM, como dava em Cruzeiro do Sul-AC, então eu ia a pé, pegava carona até em camionetes, indo em cima de couro de jacarés, uma vez que foi legal, pois saindo de serviço pelo final do dia, tive a felicidade e peguei um caronaço numa camionete cheias das moças bonitas, filhas do grandes lá da cidade de Tefé que tinham ido passear prás bandas do nosso aeroporto.

Veja aí se está boa, se é para divulgar aos velhas guardas que voaram e trabalharam naquelas plagas.

Estou velho, septOEAgenário, mas se pudesse faria tudo denovo.
Me emocione e até choro, tipo nos nossos encontros, que vou filmando, fotografando, quando toca a Canção do Especialista, os colegas veteranos passam marchando, agora a paisano, cada grupo representando sua região com roupas, instrumentos, tipo os sulistas com gaúchos, os nordestinos que este ano vieram com trajes de cangaceiros (nordestinos), os cariocas, paulistas, especialmente o meu grupo CATALINEIROS que envolve todos aqueles que direta e indiretamente trabalharam com o CATALINA, que quando fui cabo era especialistas em estruturas aeronauticas, fazendo SERÕES e SERÕES, tal qual nossos colegas, sendo na Base Aérea de Belém, no ETA1, tão logo as aeronaves chegavam, tinham que fazer revisões para novas missões no outro dia; no meu Parque de Aeronautica de Belém, que a gente fazia as revisões parciais e gerais do dito CATALINA

Causos de amigos e da Amazonia

O Leone era radiotelegrafista como nós, estudou, agora é professor na UNIVERSIDADE CATOLICA DE GOIAS, na cadeira de Ciencias Aeronauticas, tem aluno dele que está voando até lá pelas Arábias, também é escritor, tenho dois livros que aí vão as capas e mais um historico dele.

Ele é de Itumbiara Goiás, mas como sargento acabou indo parar por Tefé-AM, onde encontrou a sua esposa nissei, filha de um japonez que veio de uma ilha Hokaida do norte do Japão, trabalhava com pesca, por fim morreu lá em Copatana, que eu nem conheci, prá umas cabeceiras, para onde o amigo Leone, como excelente esposo, satisfez o desejo do coração da consorte, saindo de Goiás, achou por bem subir o rio em todo tipo de embarcação fluvial, até chegar no lugar onde seu falecido sogro repousa os restos mortais.

Quanto a este caso de carimbos, eu também gostava de inventar, isto foi uma das minhas brincadeiras, como até hoje sou meio brincalhão, também aconteceu um fato curioso com respeito a gruger, quando eu servia na EEAer, chego um dia no DPV, estava aquele bafafá, tinha um sub do galpão de instrução mexendo no gruger que tinha parado, estava desmontando bomba injetora, diabo a quatro, aí eu macaco velho, que antes com a ideia do chefe do SRPVBE, na época, Maj Av Eng Gabriel Brasil, de dar um curso de manutenção preventiva de SSB no SRPVBE, prá não pedirem fuzil ao invés de fusivel e não pedir a ida de um tecnico só por causa de um fusivel, eu e outros colegas dos destacamentos em todos os cafundos da Amazonia, também fizemos curso no Centro Diesel da Amazonia em Belém, juntou-se mais experiencias do buracos de Amazonia, aí não é que boto o olho, tinha somente arrebentado a correia da ventilação, soltado o pino de segurança para cortar combustivel e a máquina parar senão se fundia.

O sub saiu de fininho, pediu para eu remontar tudo, o que fiz, se mandou, e eu ainda não era um subnutrido, pode...rsrsrsrsrsrsrsrs

Cara, na Amazonia era um problema, tão logo chegavam os novinhos de todas especialidades a gente atraves das nossas SIAT que eu trabalhei em Manaus junto com o Leone, então eram preparados com cursos até fora, nas fabricas em todo canto do Brasil, geralmente no Sul, quando eles pediam transferencias, iam uns antigoes de outras areas, sem cursos nos nossos equipamentos, a gente tinha que começar tudo denovo, porisso que as vezes era um entrave tremendo quando o nosso pessoal queria sair da Amazonia e uma vez porisso, mas dificuldades para querer estudar, então mais de 20 sargentos MR pediram baixa de uma vez, indo trabalhar nas fabricas da Zona Franca de Manaus, onde já entravam como supervisores, com melhores salarios, outros voltaram para suas terras, somente um ou outro que depois voltou pra ativa denovo.

Agora falando de mandar radio sem energia, é que voce não tinha um bom radio PX Cobra 148GTL repuxado nos 10 metros, que eu usava nos destacamentos falando com D'us e o mundo, enrolando a lingua, mordendo os dentes, em telegrafia era no assovio, ficava de lingua seca, num ingles de barranco, portunhol e por aí afora, sendo que uma vez que deu umas ventanias dos infernos, poeira levantada, o nosso Catalina passou direto prás bandas do Querari, o piloto afoito não quis dormir por lá, achou de voltar, o negócio piorou, ele pegando aquele ventão de través, aí um raio que te parta, danificou todo meu quadro de comando, TR dos NDB e CW de Yauaretê, com uma descarga vinda pela antena do NDB que estava com um aterramento provisório que virara PERMANENTE, sendo que eu não sou profeta, mas uns dias antes mandara um radio prevendo que iria dar um ripropó, o que de fato veio acontecer, assim fiquei numa situação braba, o avião passou por cima da Colombia, foi parar pras bandas de Santo Atanasio, onde a FAB com nosso pessoal da COMARA estava constuindo pista, ele pensando que era Colombia, mesmo assim foi pra pouso na pista em construção, com chuvas, ventos, fez passagens, tentativas, até que meio de través, passando rente aos telhados de zinco dos barracos do pessoal da COMARA, pousou, não se acabou no final da pista porque tinha um monte de terra da terraplanagem que segurou o CATITA e eu usei o PX pra mandar radios via Ribeirão Preto, pelo Roberto da Estação Dinamite, foi outra aeronave buscar os tripulantes, deixaram um novinho sofrendo por lá, eu que falava com ele via meu PX e no fim o coitado ainda foi punido nem sei o porquê.

Coisas da FAB amazonica.

Noutra vez o comandante de um C47 que eu estava vindo de Yauaretê prá Belém, achou por bem ir logo para Cucui, a estação já tinha fechado lá, mas o comandante sabendo que eu tinha um PX do bom, o contato entre o aeroporto e São Gabriel da Cachoeira era via PX em AM, falei que com certeza o Sgt Martins de Cucui estava na frequencia falando com Roberto Dinamite, assim coloquei o meu cobrinha, virei antena pra São Paulo, falei denovo com o Roberto Dinamite que passou aviso para o sargento do EB Martins lá de Cucui, passei o PTT pro comandante do avião para melhores instruções, pro comandante do Pelotão de Fronteira que estava com a gente, o NDB foi ligado, a gente foi prá la, no fim os oficiais até entraram no radioamadorismo.